I TM 4:116

Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem. 1 TM 4:16

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

O que é mais importante na igreja? A vida financeira da instituição ou o crescimento espiritual dos membros.

          Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendia a viver contente e toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito ou passando necessidade. Tudo posso naquele que me fortalece. Filipenses 4:12-13
          Não só na Bíblia mas também na vida militar, aprendi a me contentar com o meu salário, que aliás consta no regulamento militar como transgressão da disciplina gastar além dos proventos. O interessante é que tentamos passar isso aos nossos filhos, pregamos isso nos púlpitos, e partindo da premissa de que devemos viver o que pregamos, gostaria de trazer a voga a seguinte reflexão: Será que a administração eclesiástica no geral, em tese formada por homens tementes a Deus, age nesse princípio?
          Confesso que não é o que tenho percebido e não quero aqui apontar denominação A ou B, trata-se de um mal que está afetando no geral, não importando se a administração é Episcopal, Presbiteriana ou Congregacional.
          Exemplificando melhor: Se uma igreja tem uma receita mensal de R$ 10.000,00 com previsão de gastos de R$ 9.500,00 com água, luz, telefone, prebenda, contador etc, sabendo que há uma pequena oscilação para mais ou para menos, deveria se adequar a administrar esse valor. Mas ao contrário disso, querem que a cada mês esse valor se multiplique gradativamente e assim ostentar o título de "Ministério Próspero".
           Ocorre que a administração eclesiástica assumiu um cunho empresarial exigindo produtividade a qualquer custo. Não se admite mais que uma igreja com mais membros gere mais custos, a visão é de que quanto mais membros, maior a receita. Nesse curso fazem planejamentos de metas que normalmente não alcançariam se não apelassem para a captação de recursos, mesmo que seja necessário o constrangimento através de pregações tendenciosas e até mesmo ameaças com textos distorcidos.
           Esquecemos que o dono da obra é Deus e Ele é quem dá a provisão. Se Ele quiser que se faça além, ele mesmo vai prover através pessoas que foram abençoadas financeiramente e a melhora na receita será através das contribuições ordinárias e não de campanhas e mais campanhas lançadas por motivos diversos.
          Temos que nos preocupar mais no crescimento espiritual da igreja com pregação da palavra, qualificação de professores, aprofundamento de temas bíblicos voltados para o contexto atual, e aí sim as demais coisas serão acrescentadas.
          Lembro-me do saudoso Pastos Daniel Serenado, que nunca vislumbrou tais vaidades, seu interesse era uma igreja sadia e revestida contra heresias. Em uma das igrejas que pastoreou e que fui membro, ele institui em consonância com a assembleia de membros que somente no dia de ceia, uma vez no mês, se recolheria dízimos e ofertas, nos demais cultos não teria, porque o objetivo principal era adoração e pregação da palavra. O gazofilácio  só era colocado em um cantinho e próximo à entrada as pessoas colocavam suas contribuições, evitando até que pessoa se deslocasse até a frente para fazê-lo, talvez até constrangendo aquele que não tinha como contribuir. A mesma frase era repetida no primeiro domingo de cada mês, no momento de entrega de dízimos e ofertas: "Nossos visitantes fiquem à vontade, pois esse é um compromisso nosso como membros mantenedores desta obra"! O resultado disso é que durante o tempo que estive lá, a igreja permaneceu cumprindo o seu papel naquela localidade, sem nada faltar.
          Pelos lugares que passei, não foram poucas vezes que após longo período evangelizando uma famílias, convidando à comparecer em um dos cultos, as vezes buscando em casa, e logo na chegada na igreja o visitante era surpreendido com boas vindas e a "cobrança antecipada do ingresso" através de envelopes ou listinhas de alguma campanha.Tal comportamento me deixava frustrado, pois era perceptível o constrangimento no rosto das pessoas, que na maioria das vezes, nunca mais retornavam. Muitas iam na esperança de receberem algo novo e diferente em suas vidas, mas saíam se sentindo exploradas e eu na minha frustração, triste e até achando que foi tudo em vão.
           Hoje vendem o evangelho como mercadoria barata, anulando o sacrifício de Cristo na cruz, o mais alto preço Jesus já pagou para nos mostrar que a graça é de graça para nós, e se assim não fosse, jamais teríamos como pagar.



Marcos Silva

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